Notas sobre Filosofia da Mente
Introdução
A filosofia da mente é um movimento filosófico sustentado por grandes pensadores da atualidade que vêm trazendo novas visões sobre a dualidade mente-cérebro, a natureza da consciência, dentre outros tantos mistérios do pensamento humano. Motivada pelas mais novas descobertas da ciência, ela retoma com abordagens modernas velhas teorias e discussões da filosofia, e traz novas perguntas jamais antes consideradas. Tirando proveito dos resultados de pesquisas de diversas áreas do conhecimento -- como medicina, computação e psicologia -- a Filosofia da Mente se torna sem dúvida a filosofia mais enraizada em preceitos científicos que já conhecemos.
Felizmente não é preciso erudição alguma para dar os primeiros passos nos campos da Filosofia da Mente. Alguns de seus principais fundamentos já estão mais que espalhados no conhecimento popular. A mídia impressa vem contribuindo, e muito, com esta divulgação. Só na última semana pude encontrar nas bancas de jornal duas revistas com artigos do Prof. João Fernandes de Teixeira -- o maior expoente em Filosofia da Mente do Brasil.
Acompanhando esta tendência, e para matar minha inquieta curiosidade, resolvi entrar um pouco neste mundo -- e como é fantástico! Por fim, eis aqui o primeiro resultado deste empreendimento. Este artigo é um apanhado de notas que foi tomando forma durante um estudo amador e iniciante da Filosofia da Mente. Devo ressaltar que poucas são as idéias originais contidas aqui. O que fiz, na verdade, foi reorganizar trechos de outras fontes de forma a propiciar uma visão geral sobre as teorias e suas relações. Todas as referências foram devidamente listadas na última seção e serão citadas no decorrer do texto nos momentos apropriados.
Por minha formação e preferência darei ênfase às interseções da filosofia da mente com a computação -- que, por sinal, são diversas! Muito há para intercambiar entre estes campos. A começar pela relação entre o artefato-computador e as mudanças no ecossistema cognitivo que vêm alterando o pensamento do homem, propiciando um aumento do seu campo operatório -- como veremos adiante, no ensaio sobre os artefatos.
Mas não nos ateremos à isto, apenas. Existem outras interseções tão interessantes que não poderiam ser deixadas de lado. A tecnologia por si só já é objeto de análise dos filósofos da mente por diversas razões. Dentre outras coisas, a Filosofia da Mente está interessada nos avanços da inteligência artificial e da neurociência. No primeiro caso porque, se for provado que é possível construir uma entidade inteligente a partir de circuitos lógicos, provar-se-á também que o pensamento depende apenas de um rearranjo da matéria -- e talvez a consciência, por conseguinte.
A neurociência, por sua vez, tenta fotografar os diversos estados do cérebro e tirar conclusões acerca do pensamento do homem com base nas disposições celulares e nos estímulos elétricos. Assim, se existir uma relação direta -- i.e., capaz de caracterizar um pensamento -- entre os eventos físico-químicos e os processos da mente, então estará provado (talvez) que o pensamento não dependa de uma essência abstrata.
Isto pode parecer à primeira vista assustador para alguém imerso na crença popular e religiosa. Seríamos então robôs desprovidos de alma e órfãos do paraíso-eterno? Afinal, será que o nosso fim culminaria com o fim da matéria e, por isso, com o fim da consciência?
A profundida destas questões me levou a traçar alguns paralelos entre a Filosofia da Mente e o Conhecimento Védico. Os Vedas são as escrituras mais antigas -- e talvez mais sábias -- do mundo. Este conhecimento milenar é, acima de qualquer discussão religiosa, extremamente científico porque utiliza os mesmos métodos de raciocínio da ciência, tal como os que foram descritos por Kant em sua obra "Crítica à razão pura", ou Peirce em seus famosos manuscritos sobre semiologia. Além disso o conhecimento Védico tem belíssimos enfoques filosóficos, abordando com uma clareza incrível tópicos como Ética, Pensamento, e a própria Existência do homem. Portanto achei oportuno discorrer sobre este assunto em alguns momentos.
Enfim, seguindo a filosofia da União, vamos começar com pequenas sementes; que com sorte se tornarão frondosas árvores:
- O que é a consciência e a intencionalidade?
- Qual a relação entre mente e cérebro?
- Como a mente funciona?
Eis, portanto, algumas das principais questões abordadas pela Filosofia da Mente.
Agora é preciso regá-las!
Mãos à horta...
O ciborgue-orgânico e A mente parabiótica
(ensaio sobre os artefatos tecnológicos e a mente)
Um dos maiores adventos da evolução do homo sapiens certamente foi o desenvolvimento da linguagem; e a capacidade de comunicar-se com outros seres humanos não é meramente ferramentária. A mente do homem parece ser capaz de agregar elementos da matéria, e vice-versa. Por exemplo, nenhum outro animal é capaz de projetar sua consciência na matéria, como é o caso das manifestações de arte, ou até mesmo de um simples diálogo. O uso de artefatos e da linguagem só parece ser possível porque, de certa forma, a mente do Homo Sapies é naturalmente parabiótica.
Esta afirmativa pode parecer estranha à princípio porque não estamos acostumados a pensar na mente como algo extensível (à matéria, talvez), mas sim como um processo que ocorre dentro dos limites do cérebro. Isto pode não ser tão precisamente correto quanto parece.
À exemplo, considere o homem moderno com todo seu arsenal tecnológico. Este homem utiliza artefatos que compõem seus processos de pensamento. Um simples computador permite um enorme aumento da capacidade mental de um ser humano; não só por executar cálculos complexos, mas por permitir uma comunicação extensiva e uma conexão transparente com os comandos da mente de quem o opera, através de mouses e teclados. Não pára por aí; os computadores permitem um aumento indiscriminado da memória, uma maior conectividade e permeabilidade na troca de pensamentos, etc. Certamente este é o artefato mais poderoso já construído pelo homem, e tende a incorporar cada vez mais recursos; cada vez mais processos, e cada vez mais o homem o incorpora em seu pensamento.
Acusamos a natureza parabiótica pelo simples fato que a mudança nos processos cognitivos afetam o ser humano como um todo; até mesmo fisicamente, alterando a informação genética, e influenciando na evolução.
A interação da mente com a matéria não é simplesmente ocasional. A informação é algo tão palpável que até mesmo alguns artefatos são capazes de sedimentá-las em sua disposição. Por exemplo, você provavelmente seria capaz de tirar sons de um instrumento que nunca viu antes -- e talvez ainda pudesse deduzir que é um instrumento, sem nem mesmo ter uma dica. Uma pessoa que nunca viu uma determinada arma branca pode concluir que ela pode ser usada para ferir um oponente; e assim por diante. Portanto -- de alguma forma -- a informação acerca do uso do artefato está implícita na sua constituição. Se a forma de usar foi pensada pelo construtor original então faz sentido que este conhecimento esteja sedimentado no objeto.
Dizemos que um artefato é transparente quando sua utilização não requer algum esforço de manipulação. Por exemplo, o teclado de um computador para muitos é um artefato transparente -- já que, depois de alguma prática, já não é mais necessário buscar as posições das teclas ou nem mesmo olhá-lo enquanto digita. Enquanto escrevo este texto faço uso transparente do teclado, projetando as palavras da minha mente direto para os componentes digitais do computador. Portanto, são transparentes porque nossos processos mentais já não dependem de uma atenção para obter o auxílio do artefato; sua funcionalidade está, de certa forma, incorporada à mente -- assim como no ciborgue!
O mesmo acontece quando usamos óculos, por exemplo. Os óculos são artefatos transparente porque basta posicioná-lo na frente dos olhos pra obtermos uma visão mais poderosa. A calculadora por sua vez é um exemplo de artefato não transparente; no entanto fica claro que todo o processamento é feito fora do cérebro e o resultado é usado pela mente para dar continuidade ao pensamento. Por isso a calculadora é também incorporada aos processos mentais.
O que é mais intrigante é que estas mudanças nos processos mentais mudam também o homem como espécie. Se o pensamento se torna diferente tudo à sua volta também é processado de forma diferente, e por isso a própria evolução do homem é orientada por estas mudanças.
Na ufologia uma teoria pouco popular (e, diga-se de passagem, sem fundamento; mas bastante curiosa) faz um paralelo entre a fisionomia de um E.T.s e uma possível evolução do ser humano; chegando à incrível conclusão que os E.T.s seriam Homo Sapiens muito evoluídos que conseguiram voltar no tempo! Absurdo? Suas enormes cabeças seriam resultado do crescente aumento do volume encefálico já constatado se compararmos os cérebros dos Homo Sapies com seus ancestrais pré-históricos; os poucos e longos dedos seriam resultado da crescente automatização do mundo -- não seria mais necessário ter tantos dedos se pudéssemos controlar tudo através de dispositivos digitais ou remotos; quem sabe até diretamente ligados aos controles da mente. A estreita mandíbula indicaria uma mudança drástica na alimentação. Parece óbvio que uma civilizações evoluída deve ter hábitos vegetarianos, e por isso não precisariam de tantos dentes -- e já não estamos perdendo os sisos? Afinal, se pudermos de fato em algum momento futuro voltar no tempo por que não estaríamos aqui agora?
A imaginação pode continuar criando analogias, mas a conjectura que provém desta idéia (maluca) é imaginar como os artefatos afetariam o pensamento e a evolução dos homens. Afinal, é certo que estamos nos tornando uma nova espécie modificada pela era da digital e por todos os adventos tecnológicos.
A filosofia também está interessada em responder às questões de ética relacionadas à estas mudanças. Vivemos num momento de segregação social-tecnológica. Em breve os adventos da ciência irão proporcionar seres humanos mais inteligentes, mais fortes, mais bonitos -- mais capazes. As pessoas sem poder aquisitivo aparentemente serão excluídas e subjulgadas pela tecnologia, agravando ainda mais o problema da desigualdade entre os homens.
Ainda devemos questionar a ética que envolve as entidades com inteligencias artificiais. Que direitos teriam os robôs se tivessem consciência da sua natureza? Seria ético destruir um robô inteligente? Seria ético obrigá-lo a trabalhar incessantemente para nossos propósitos? Isaac Asimov, um célebre escritor de ficção científica, levantou estas e outras questões acerca das mudanças na sociedade necessárias para comportar estas novas entidades. Com sua imaginação precisa e visionária Asimov consegue trazer de um possível futuro alguns dos problemas que iremos infrentar se de fato pudermos criar máquinas inteligentes.
Livre-arbítrio e o fim do Materialismo
* materialismo x dualismo
* destino x livre arbítrio
* processar informação == consciência
* argumento dos zumbis
* qualia
O materalismo é a linha de pensamento que acredita que o mundo é composto apenas por unidades materiais; i.e., tudo o que existe é o de natureza material, e nada mais. Portanto, para os materialistas não existe alma, espírito, ou qualquer outr
Padrão e personalidade - A Inteligência do Caos
Não me parece absurdo que -- ainda que a consciência seja produto de interação da matéria -- todo o aspecto divino da existência continue fazendo sentido. Os taoístas, em concordância com a ciência de Lavosier, nos ensinam que o universo é uma grande massa em constante mutação. Esta massa compreende todo o mundo material; suas interações são dadas a partir de uma sequência de eventos no tempo, como em uma reação em cadeia. À todo evento corresponde um predescessor responsável por sua ocorrência. Este movimento que rege a existência é o que alguns definem como Deus -- o sentido último desta dança caótica dos fenômenos da natureza.
Para alguns esta dança tem uma inteligência implícita. O padrão deste movimento teria talvez uma personalidade tal qual a nossa, quem sabe -- quando nós nos reconhecemos como entidades individuais. XXX: falar do vídeo dos padrões da natureza.
De acordo com a visão do filósofo da mente David Chalmers, tudo o que processa informação tem um nível de consciência. Assim, não parece absurdo que Deus tenha uma personalidade -- um padrão. Afinal, o que seria o Universo senão um grande processador de informação?
XXX: Para os hinduístas todo esse movimento que somos capazes de perceber (mas não compreender) é a energia marginal de Deus.
O oriente percebeu que há uma inteligência maior neste movimento, que vai além da percepção humana; como se este movimento fosse caracterizado por um padrão e uma personalidade; e que em última instância é perfeito e harmônico; por mais que suas partes isoladamente não pareçam desta forma.
budismo <-> individualidade <-> consciência.
taoísmo <-> massa cósmica <-> rearranjo
XXX: falar mais da consciência como reprodução deste movimento, etc. (robôs sem alma)
falar do materialismo, argumento do zumbi, etc.
Ensaio sobre O Certo e o Errado
* Macaco / treetopsSentimentos Fabricados
Resumo da palestra do Prof. Dan Gilbert para TEDTalk, 2005.
Dan Gilbert sustenta a intrigante idéia de que nossos cérebros são capazes de sintetizar a felicidade; como num sistema imunológico-psicológico que garante o bem-estar de acordo com os eventos externos, adaptando nossos valores aestéticos, emocionais, etc, de forma a promover satisfação.
Uma das adaptações do homem moderno foi adquirir a capacidade de gerar simulações de eventos reais antes que eles de fato aconteçam. Você não compraria um sorteve de lodo porque, embora não conheça o gosto, pode imaginar (simular) a sensação de degustação e concluir que não é prazeroso.
XXX: o que isso tem a ver com sintetizar felicidade?
A idéia da felicidade sintetizada é sustentada por alguns experimentos; (1) no primeiro, seis imagens de Monet são entregues a uma pessoa; é pedido para que ela as coloque na ordem de preferência -- os que mais gosta primeiro, seguindo para o que menos gosta. É dito aos pacientes também que uma de duas imagens -- que, por não serem tão belas ou feias, acabam ficando próximas do meio na ordem de preferência -- será entregue à ela. Depois da ordem ser determinada, a imagem com menor preferência entre as duas é entregue à pessoa. Dias depois o mesmo experimento é feito com a mesma pessoa e, voilà, a imagem que foi entregue ganha posições no ranqueamento, e a que não foi entregue perde posições; mostrando que a pessoa passou a gostar mais da imagem que tem, e passou a desgostar da que não pôde ter.
(2) O mesmo experimento foi feito com pessoas com a Síndrome de Korsakof, que é uma doença que causa perda de toda a memória recente. O resultado foi o mesmo que o esperado e ainda mais intenso. As pessoas com a síndrome gostavam ainda mais dos quadros que ganharam embora não pudessem lembrar de nada. Segundo Dan Gilbert isto é uma evidência que de fato o cérebro age num rearranjo dos valores da pessoa.
(3) Por fim, o terceiro experimento tenta mostrar que um evento determinístico intensifica a capacidade desta máquina de sintetizar felicidade. Para mostrar isto tomaram-se dois grupos de pessoas. Dois quadros foram expostos para os grupos e pediu-se para que escolhessem um deles. Ao primeiro grupo foi dada a oportunidade de trocar os quadros em qualquer momento no futuro; ao outro grupo não foi dada a opção de troca; ou seja, uma vez escolhido não seria possível voltar atrás -- o quadro deixado de lado sumiria para sempre. Por fim, as pessoas do grupo sem opção acabaram gostando muito mais do quadro que as pessoas do grupo com opção. A possibilidade de trocá-lo à qualquer momento tornou-o menos interessante.
Esta é certamente uma das maiores evoluções que o homo sapiens sofreu, porque possibilita a continuidade da vida do indivíduo, preservando a espécie. Já imaginou quantas pessoas desistiriam de viver se não fossem capaz de sintetizar a felicidade para se proteger dos eventos desastrosos que a vida nos traz?
Este último ensaio mostra o quanto a Filosofia da Mente está relacionada ao Evolucionismo de Darwin e à todas as variações deste pensamento, incluindo a Memética de Dawkins, dentre outras.
Referências
TODO: adicionar referências ao longo do texto XXX
TODO: falar sobre problema da máquina de turing. não-computabilidade e o cérebro. Deus é inconcebível, etc.
TODO: malhar Dawkins com sua afirmação sobre inteligência criativa.
TODO: <XXX: Descartes, Kant, Heidegger, Hegel, Daniel Dannet, Peirce, David Chalmers, Leibiniz, Malebranche, Espinosa, Ludwig Wittgenstein, etc.>
[1] Revista...
[2] Dan Gilbert, TEDTalk 2005; url: http://www.youtube.com/watch?v=LTO_dZUvbJA
[3] Como a mente funciona
[4] Papers...
[5] http://mind.sourceforge.net/diagrams.html
[6] Livros Darwin
[7] Blade Runner
[8] I Robot, Isaac Asimov.
[9] Computação Afetiva, Picard
[A] Formiga Elétrica, Philip K. Dick
[B] Homem Bicentenário, Isaac Asimov.
[C]

1 comentários:
subjetividade aleatoria; padroes x personalidades...
Genealogia da moral, sim...
A raiz será humana ?
Se for, digo apenas uma coisa: OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOdase(maneira como um velho pescador da ilha grande que comia putas na praça Mauá, personificava sua indiferença após um espirro bem dado )
Senão, vou esperar a morte e sofrer as punições de tal esfera transcendental.
Diversas realidades, diversas culturas, um so destino bifurcado: Adubo ou luz ?
enquanto minha carne apodrece na terra digo OOOOOOOOOOOdase tambem.
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